FIEC recebe encontro da AMCHAM sobre relações comerciais entre Ceará e Estados Unidos

30/09/2026 - 13h09

A Casa da Indústria recebeu, na terça-feira (29/09), um encontro empresarial promovido pela AMCHAM-Ceará, a Câmara Americana de Comércio. A programação reuniu empresários e lideranças para discutir as relações comerciais entre o Ceará e os Estados Unidos, além de oportunidades de negócios e investimentos no mercado estadunidense.

A gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Karina Frota, participou do encontro com a palestra “Relações Comerciais Ceará × Estados Unidos”. Na apresentação, ela traçou um panorama do comércio bilateral e destacou a relevância do mercado norte-americano para a economia cearense.

“Os Estados Unidos são responsáveis por uma parcela expressiva das nossas exportações, com destaque para os produtos siderúrgicos, que abastecem, inclusive, parte da cadeia da indústria automobilística, além de produtos do setor do agronegócio”, afirmou Karina.

Em sua apresentação, a gerente do CIN mostrou a dimensão dessa relação comercial. Em 2025, os Estados Unidos responderam por 46% das exportações cearenses, com US$ 1,05 bilhão em vendas, alta de 59,5% sobre o ano anterior e saldo comercial favorável ao Estado de US$ 647,45 milhões.

A pauta exportadora é fortemente concentrada no setor siderúrgico, responsável por mais de 75% das vendas cearenses aos Estados Unidos. São Gonçalo do Amarante, onde está localizado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), respondeu por 67% do valor exportado pelo Ceará ao país. Peixes e crustáceos, calçados, água de coco, ceras vegetais e rochas ornamentais também estão entre os produtos embarcados.

Já os dados do primeiro semestre de 2026 apontam um cenário mais desafiador. As exportações cearenses para os Estados Unidos somaram US$ 349,9 milhões, queda de 37,1% em relação a igual período do ano anterior, enquanto as importações cresceram 15,1%, para US$ 208,5 milhões. As compras cearenses no mercado estadunidense foram concentradas em combustíveis minerais e óleos, que representaram 90% da pauta, com destaque para hulha betuminosa e óleo diesel.

Diante do ambiente de maior proteção comercial nos Estados Unidos, Karina ressaltou a necessidade de preparação técnica das empresas que atuam ou pretendem ingressar naquele mercado. Entre os pontos destacados estão o planejamento jurídico e fiscal, a realização de auditorias tarifárias e o atendimento às exigências de órgãos reguladores, como a Food and Drug Administration (FDA) e o United States Department of Agriculture (USDA).

Para Karina, o CIN tem papel estratégico nesse processo ao estimular o intercâmbio comercial e ampliar a presença de empresas cearenses no exterior. “Nosso objetivo é incentivar esse intercâmbio para que as exportações tenham cada vez mais esse vetor de crescimento. O nosso objetivo é inserir o produto cearense em um mercado chamado mundo”, destacou.

A apresentação também apontou oportunidades para ampliar os negócios e atrair investimentos norte-americanos para o Ceará, especialmente em segmentos como energias renováveis, hidrogênio verde, tecnologia e infraestrutura logística.

Além de Karina Frota, a programação contou com apresentações de Júlio Cavalcante, sócio da SB Consultores Associados, sobre oportunidades de negócios nos Estados Unidos, e Tomás Roque, especialista em Investimentos Internacionais da Avenue, que abordou aspectos relacionados à economia e aos investimentos no mercado norte-americano.

Aproximação que abre oportunidades

O gerente regional da AMCHAM-Ceará, Fred Sampaio, destacou que o encontro buscou aproximar empresários das oportunidades relacionadas às relações comerciais entre o Ceará e os Estados Unidos. “É um encontro especial para nós, em que detalhamos um pouco as relações do Ceará com os Estados Unidos, com uma agenda robusta de troca com nossos participantes, abordando potencial de negócios, investimentos e a economia americana”, destacou.

Fred também ressaltou a parceria entre a AMCHAM-Ceará e a FIEC. A entidade, que atua na conexão entre empresas e lideranças de diversos setores, está presente no Estado há 12 anos. “É muito importante estarmos aqui para fortalecer nossas marcas em conjunto e trazer nossos empresários para um espaço que também tem essa vocação de promover as relações bilaterais”, afirmou.

Atualmente, a AMCHAM-Ceará reúne 120 empresas associadas. A entidade é a maior Câmara Americana de Comércio fora dos Estados Unidos e atua na conexão entre empresas e lideranças de diferentes setores, promovendo negócios e relações empresariais entre o Brasil e o mercado norte-americano.

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