Gerente do CIN participa do Fórum Mulheres Mercosul-UE e debate oportunidades e desafios do Ceará após acordo comercial

16/09/2026 - 14h09

As oportunidades e os desafios para as empresas cearenses diante do acordo Mercosul-União Europeia foi tema de debate com a participação da Gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) e Presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Karina Frota, no Fórum Mulheres Mercosul-UE, realizado nesta quarta-feira (16/09), na Casa da Indústria. Promovido pelo Clube de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa (CMNLP) e o Sebrae Ceará, o evento reuniu empresárias, lideranças, especialistas e profissionais da cadeia exportadora para discutir a presença feminina no comércio internacional.

Ao lado da Presidente do CMNLP e Idealizadora do Fórum, Rijarda Aristóteles, da Diretora do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Angela Peres, e da Gerente da Unidade de Cultura Empreendedora do Sebrae Ceará, Mônica Arruda, Karina Frota apresentou o panorama das relações comerciais entre o Ceará e países que compõem o bloco europeu, destacando que o novo acordo deve fortalecer e impulsionar as exportações locais, mas também exigirá adequações das empresas cearenses ao mercado exterior.

“É uma honra participar do evento e ter essas mulheres aqui na Federação. Nosso papel é abraçar essas iniciativas com conteúdo responsável e relevante, principalmente para o momento em que estamos inseridas, que é o do acordo Mercosul-União Europeia”, destacou Karina na abertura do fórum.

Segundo ela, entre 2024 e 2025, as exportações cearenses com destino ao bloco europeu cresceram 20%, número que mostra o potencial de crescimento com o tratado de livre comércio, em vigência provisória desde 1º de maio deste ano. Produtos siderúrgicos, frutas, calçados e rochas ornamentais encabeçam a lista de itens mais exportados.

“Temos e teremos boas oportunidades, lembrando que esses benefícios não vão acontecer simplesmente porque o acordo foi assinado. São tarifas que tendem a ser suavizadas de forma gradual dentro desse contexto de acordo de complementação econômica entre os dois blocos”, explicou Karina.

No entanto, a Gerente do CIN ressalta que o cenário traz pontos de atenção, em especial a necessidade de adequação do setor produtivo às exigências do mercado europeu. Questões como sustentabilidade e equidade de gênero dentro das empresas cearenses precisam estar alinhadas às diretrizes do comércio com a União Europeia.

“É muito importante olharmos para esses pontos que merecem cautela, porque o intercâmbio precisa ser bilateral. Há quanto tempo a União Europeia nos apresenta uma preocupação relacionada às questões de gênero, às questões salariais, às mulheres que comandam grandes instituições? Para o Brasil, isso ainda é muito novo, mas temos um limite de tempo para responder a essa pergunta”, afirma Karina Frota. “A reflexão que deixo é que nós precisamos pensar em questões de governança, gestão estratégia, competitividade e empregabilidade. Olhar pro nosso processo produtivo e pensar: será que o meu processo produtivo atende às exigências do mercado internacional?”, acrescenta.

Rijarda Aristóteles, Idealizadora do Fórum Mulheres Mercosul-UE, pontua que, para empresas lideradas por mulheres, os desafios são ainda maiores. Nesse sentido, o evento é um espaço de troca de conhecimentos e experiências que pode contribuir na capacitação de empresárias e empreendedoras para atuarem no comércio exterior.

“Nos últimos oito meses, dos R$ 37 bilhões que as exportações brasileiras ganharam no comércio com a Europa, 10% já vem do acordo Mercosul-União Europeia. A nossa provocação é que somente 2% de todo o comércio internacional são de empresas lideradas por mulheres”, diz Rijarda. “Mas existem muitos negócios que queremos fazer nos quais a mulher pode ser absolutamente protagonista. O que precisamos fazer é jogar o holofote nessas ações desenvolvidas pelas mulheres”, completa.

Angela Peres, do MAPA, e Mônica Arruda, do Sebrae Ceará, apresentaram iniciativas desenvolvidas pelas duas instituições para incentivar a internacionalização de empresas cearenses.

De acordo com Angela Peres, o Ministério da Agricultura e Pecuária possui um ecossistema de ações voltadas a mulheres do agronegócio que desejam se inserir no mercado internacional. Entre as estratégias, estão a organização de feiras internacionais gratuitas e a realização de caravanas que levam conhecimento técnico diretamente aos produtores rurais.

“São várias ações que Ministério da Agricultura disponibiliza a todas as mulheres para que a gente possa de fato iniciar esse hábito do comércio internacional e promover a cultura exportadora. Quem sabe, o Clube de Mulheres possa, juntamente com o Ministério, organizar a participação de empreendedoras do agro nas feiras internacionais e levar essa mulherada para fazer negócios pelo mundo”, afirmou Angela.

Já as iniciativas do Sebrae, segundo Mônica Arruda, incluem o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), realizado em parceria com a ApexBrasil, e um novo projeto que oferecerá trilhas formativas específicas para acelerar o crescimento de negócios liderados por mulheres.

Para a Gerente da Unidade de Cultura Empreendedora, a exportação exige, antes de tudo, uma mentalidade global das empreendedoras e uma gestão interna capaz de garantir a qualidade de produtos e serviços para competir no exterior.

“Normalmente, a mulher empresária nos procura e pergunta se o mercado internacional tem oportunidade para ela. Mas nós acreditamos que a pergunta deve ser anterior a isso. Será que o negócio dela está preparado para essas oportunidades? A internacionalização começa antes de atravessar a fronteira. A empreendedora precisa ter a mentalidade estratégica para pensar no que ela espera alcançar com o negócio. A partir daí, ela vai traçar um plano para desenvolver essa empresa e estar preparada para concorrer com os produtos de fora”, explica.

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