AL-INVEST Verde apresenta oportunidades para ampliar exportações cearenses à Europa durante a Feira da Indústria FIEC
Empresários cearenses tiveram a oportunidade de conhecer caminhos para ampliar sua presença no mercado europeu durante ação do AL-INVEST Verde, realizada na programação da Feira da Indústria FIEC, em Fortaleza. No dia 10 de março, o painel “Transformando Sustentabilidade em Resultado: Tendências e Oportunidades da Economia Circular Europeia” reuniu empresários e especialistas para discutir como as novas exigências ambientais da Europa podem se transformar em oportunidades concretas para empresas brasileiras interessadas em exportar.
A atividade foi promovida com apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), que atua no fortalecimento da internacionalização das empresas cearenses, conectando o setor produtivo a mercados estratégicos e iniciativas internacionais voltadas ao comércio exterior.
A palestra foi conduzida por Natasha Costa, mestre em Relações Internacionais e especialista na conexão de empresas latino-americanas ao mercado europeu. Com mais de dez anos de experiência e atuação em mais de 250 projetos internacionais nas áreas de energia, indústria e sustentabilidade, a especialista destacou que a agenda ambiental da Europa não deve ser vista apenas como uma barreira regulatória, mas como uma porta de entrada estratégica para empresas que desejam acessar mercados mais exigentes e de maior valor agregado.
“Hoje, sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser um critério de competitividade. Empresas que se antecipam às novas exigências da Europa conseguem não apenas acessar esses mercados, mas também se posicionar melhor globalmente”, afirmou Natasha. Segundo ela, a transição para modelos produtivos mais sustentáveis abre oportunidades especialmente para setores industriais que já possuem capacidade de inovação e adaptação.
A ação integrou as atividades do AL-INVEST Verde, programa da União Europeia cujo principal objetivo é promover o crescimento sustentável e a geração de empregos na América Latina, apoiando a transição para uma economia de baixo carbono, eficiente no uso de recursos e mais circular.
Por meio do Componente 1, o programa gere fundos para a implementação de projetos inovadores de associações de pequenas empresas, com o objetivo de impulsionar práticas sustentáveis no setor privado. Esse componente é liderado pela sequa, organização alemã sem fins lucrativos que atua globalmente com foco no fortalecimento do setor privado.
O tema ganha ainda mais relevância diante do momento positivo do comércio exterior cearense. Conforme dados do CIN, em janeiro de 2026, as exportações do estado somaram US$ 152,97 milhões, registrando crescimento de 49,3% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço das vendas externas, aliado à retração das importações, reduziu o déficit da balança comercial para US$ 17,9 milhões, uma melhora de 89,7% e o menor saldo negativo para um mês de janeiro desde 2021.
Entre os produtos que impulsionaram o desempenho estão ferro e aço, responsáveis por US$ 72,4 milhões das exportações no período, o equivalente a 47,3% do total. A pauta exportadora também contou com forte participação de setores da agroindústria e de bens intermediários, com destaque para calçados (US$ 17,6 milhões), frutas (US$ 17,5 milhões) e ceras vegetais (US$ 7,9 milhões). Nesse último segmento, a cera de carnaúba respondeu por cerca de 97% do valor exportado, reforçando a importância de produtos tradicionais da economia cearense no mercado internacional.
Os destinos das exportações também refletem essa diversificação. Embora os Estados Unidos continuem como principal mercado, países europeus como Países Baixos, Espanha e Reino Unido aparecem entre os principais compradores, consolidando o eixo América do Norte–Europa como um dos pilares das vendas externas do Ceará.

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