Com alta de 72% nas exportações, União Europeia se torna principal bloco econômico de destino dos produtos cearenses
Assinado no último sábado (17/01), o Acordo Mercosul-União Europeia marca a criação de uma das maiores zonas livres de comércio mundiais e deve ter importante impacto para empresas cearenses exportadoras, consolidando a crescente ampliação de negócios entre o Ceará e países europeus nos últimos anos. De acordo com levantamento “Relações Comerciais - União Europeia” do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), somente em 2025, as exportações do Ceará para a União Europeia, totalizaram US$ 447,1 milhões, uma alta de 72% em relação a 2024.
Ao todo, 26 países compraram de empresas cearenses no ano passado, com destaque para a Itália (US$ 93 milhões exportados) e Países Baixos (US$ 90,4 milhões). França (US$ 74,7 milhões), Polônia (US$ 59 milhões) e Alemanha (US$ 48,2 milhões) também estão no topo da lista de países importadores.
Segundo o estudo, os números revelam que o Ceará tem reduzido a dependência do comércio com os Estados Unidos, posicionando a União Europeia como principal bloco econômico de destino dos produtos cearenses, atrás apenas de mercados individuais de grande porte, como o americano. "Nos últimos cinco anos, a participação da União Europeia nas exportações cearenses teve forte crescimento, passando de cerca de 8% em 2021 para 19,6% em 2025", afirma a Analista de Comércio Exterior Jr do CIN, Milena Lima.
Outro importante resultado do levantamento foi a diversificação da pauta exportadora cearense para a União Europeia. Para além do setor de Ferro fundido, ferro e aço, que lidera as exportações (US$ 148,5 milhões), segmentos como Frutas frescas (US$ 84,6 milhões), Sal, terras e pedras (US$ 66,6 milhões), Combustíveis minerais (US$ 44,8 milhões) e Gorduras e óleos vegetais (US$ 34,3 milhões) também reforçaram o rol de produtos com destino à Europa.
A assinatura do Acordo Mercosul-UE pode fortalecer ainda mais a relação comercial entre empresas locais e europeias. “Vamos analisar de forma estratégica as adaptações necessárias para os benefícios do acordo, conforme o cronograma previsto. Após a aprovação legislativa, a implementação acontecerá de forma gradual”, diz Karina Frota, Gerente do CIN.
Superávit recorde
O levantamento do CIN apontou, ainda, que o aumento das exportações e a baixa nas importações (-18%) fizeram com que a balança comercial do Ceará com a União Europeia atingisse superávit recorde de US$ 197 milhões, revertendo o déficit de US$ 45,0 milhões registrado em 2024.
As importações oriundas da União Europeia somaram US$ 250 milhões, uma queda de 18% na comparação anual. Conforme o levantamento do CIN, a variação esteve associada à redução das compras de combustíveis minerais, à forte retração das máquinas elétricas e à maior seletividade na aquisição de bens de capital, refletindo o ajuste das cadeias produtivas estaduais ao longo de 2025.
