FIEC divulga Panorama do Comércio Exterior do Ceará em 2019

28/01/2020 - 14h01

No último mês de 2019 as exportações cearenses totalizaram US$ 181,2 milhões. Este valor representou um crescimento de 14,1% em relação a novembro. Contudo, quando comparado ao resultado de dezembro de 2018, observa-se uma queda de 33,3%. Em geral, as exportações cearenses mês a mês apresentaram grandes variações quando comparados os resultados de 2019 e 2018. No que se refere a importação, o mês de dezembro registrou queda de mais de 18,9%, totalizando cerca de US$ 170,9 milhões, quando comparado com o mês anterior. Entretanto a variação foi positiva em 2%, quando comparado com o ano anterior. As informações são do Ceará em Comex, estudo elaborado pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

No fechamento do ano de 2019, as exportações cearenses totalizaram US$ 2,26 bilhões registrando a primeira queda nas exportações cearenses desde 2014. A retração de 3,3% foi puxada pela diminuição das vendas para o exterior de produtos de aço e ferro, calçados e frutas.

As importações cearenses apresentaram queda de 7% no ano de 2019, realizando US$ 2,36 bilhões. O resultado negativo também foi motivado pela diminuição da compra de produtos que compõe o setor de ferro e aço. Qualquer variação na compra e venda de produtos que compõe o setor de ferro e aço impactam diretamente a balança comercial cearense.

A balança comercial cearense está cada vez mais próxima do ponto de equilíbrio, apresentando um déficit de apenas US$ 91,7 milhões, que corresponde a uma variação positiva de 52%, quando comparado com o ano anterior.

O Ceará melhorou sua participação e encerrou 2019 com a sua melhor marca nos últimos cinco anos, cerca 11,6% do total exportado pelos estados do Nordeste. Atrás apenas da Bahia e do Maranhão, o estado apresentou o 3º melhor resultado em exportações da região.

Apesar de ter perdido representatividade nos últimos anos, o Ceará segue em 4º colocado no ranking dos estados importadores do Nordeste, com 13,7% de participação. Melhor resultado observado nos últimos três anos.

Enquanto a representatividade cearense nas exportações na região sobe, observa-se uma queda na sua participação nacional. O Estado saiu de 1,4% para 1,33% em participação nas exportações do país no último ano. Já nas importações a participação cearense em 2015 era de apenas 0,55% e no ano de 2019 fechou com 1,01%, ou seja, o estado quase dobrou a sua representatividade nos últimos anos.

Apesar da queda nos valores de exportação, observa-se um aumento de 8% na quantidade de empresas cearenses que venderam produtos para o exterior em 2019. A participação de novas empresas no cenário de comércio exterior cearense demonstra uma diminuição na concentração das exportações por empresas.

Como reflexo da queda nas importações cearenses de 2019, a quantidade de empresas que compraram produtos do exterior também diminuiu se comprado com o ano anterior. A redução foi superior a 6%, reduzindo de 649 para 610 empresas cearenses.

O maior município exportador do estado do Ceará, São Gonçalo do Amarante, totalizou US$ 1,2 bilhões em 2019. Apesar da redução 12,7% quando comprado com o ano de 2018, o município ainda apresenta um market share de 53% do total exportado pelo Ceará. O setor de ferro e aço lidera o cenário local.

Em segundo lugar, Caucaia exportou mais de US$ 190 milhões em 2019 e representa cerca de 8,5% do total exportado pelo estado. O incrível desempenho do munícipio fez com que a suas vendas mais que
dobraram se comprado com o ano anterior. Ou seja, houve um incremento de 137,2% das exportações, que foram impulsionados principalmente pelo setor de energia eólica.

A cidade de Fortaleza, em terceiro lugar, cresceu 9,1% nas exportações e atingiu o valor de US$ 157 milhões em exportações em 2019. Sua participação na pauta de exportação cearense foi superior a 7%.

Entre os demais municípios, Aquiraz e Eusébio destacam-se ao apresentarem crescimentos de 20,5% e 39,1%, respectivamente. Aquiraz gerou exportações no total de US$ 58,3 milhões, enquanto Eusébio exportou cerca de US$ 38,6 milhões.

Os produtos semimanufaturados representam mais de 58,6% das exportações do estado do Ceará em 2019. Fazem parte desse grupo, principalmente, os produtos provenientes do setor siderurgia e coureiro. Os produtos manufaturados correspondem a 28,7% seguido pelos produtos básicos com 12,6% de participação.

O setor de ferro fundido, ferro e aço, encerrou o ano de 2019 com uma queda de 13,6%, porém, suas exportações no valor total de US$ 1,2 bilhão mantiveram o setor na primeira posição do ranking. O setor de máquinas, aparelhos, materiais elétricos e suas partes, ao exportar o equivalente a US$ 175,3 milhões, registrou um crescimento de 168,8%. Apesar da grande variação deste setor, a maior alta esteve para o setor de combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação dentre os principais setores destacados na análise. Esse setor exportou o valor de US$ 51,3 milhões em 2019, crescendo 170,7% quando comparado ao resultado de 2018.

Vale ressaltar o crescimento do setor de peixes e crustáceos, mesmo com os desafios encontrados em 2019 por conta da contaminação do óleo encontrado no litoral do país, encerrou o ano com uma alta de 40,4%, exportando US$ 87,7 milhões.

Setores mais tradicionais no cenário de exportações cearenses como calçados e couros e peles apresentaram resultados negativos, reduzindo suas vendas em 11,4% e 30,4%, respectivamente. Outro setor de grande relevância para o estado são as frutas, que também sofreu redução de 10,5% suas exportações.

O produto de maior comercialização entre o Ceará e o exterior, foram “Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado com menos de 0,25 % de carbono” que 12 contabilizaram US$ 1,02 bilhão, contudo este valor representou uma queda de 9,2% quando comparado ao resultado de 2018. Em segundo lugar e apresentando o maior crescimento entre os produtos observados, cerca de 176,4%, as exportações de ”Partes de outros motores/geradores/grupos eletrogeradores, etc”, que são principalmente pás eólicas, superaram o valor de US$ 174,6 milhões.

Parte da pauta tradicional de exportação cearenses, as ceras vegetais, na qual a cera de carnaúba predomina, apresentou um crescimento de 24,9% e a castanha de caju incrementou em 5,1% nas vendas para o exterior. Entretanto melões frescos reduziram suas exportações em mais de 34,2%.

No total, o Ceará exportou uma variedade de 1510 produtos em 2019, enquanto que em 2018 o estado vendou apenas 1250 tipos de produtos. Ou seja, um crescimento de 20,8% em novos produtos.

Como principal parceiro comercial para as exportações cearenses permanece os Estados Unidos. Os produtos originários do Ceará e comprados pelo país totalizaram mais de US$ 1 bilhão, com market share de 44,3% das exportações totais do estado. O México, segundo principal destino das exportações do estado, obteve a participação de 19,4% e alcançou o valor de US$ 169 milhões. O comércio com os dois países vem crescendo e, entre 2018 e 2019, as exportações aumentaram em 15,4% e 19,4%, respectivamente.

Em 4º lugar, a Itália apresentou a maior alta entre os países observados, de 151,8%. A exportações para a Itália foram de US$ 121,8 milhões. A República Tcheca destaca-se por apresentar o segundo maior crescimento entre os países analisados. Mesmo não estando entre as primeiras posições, a República Tcheca, ao importar cerca de US$ 54,7 milhões, registrou uma alta de 92,5%.

As maiores quedas dentre os principais destinos das exportações cearenses foram para a Turquia, que registrou um recuo de 54,7%, e para a Alemanha e Argentina, que registaram, ambas, uma diminuição de 31,4%.

Em 2019, o Ceará passou a exportar para uma variedade menor de países. Enquanto que em 2018 o Ceará vendeu para mais de 152 destinos, atualmente são atendidos 145 países diferentes.

A localização privilegiada do estado do Ceará e o constante investimento nos portos localizados no Ceará, observa-se que 94,1% de todas as exportações do estado acontecem via marítima.

No fechamento do ano de 2019, a cidade de Fortaleza ultrapassou São Gonçalo do Amarante e ocupou a primeira colocação no ranking dos principais municípios importadores cearenses. Com um market share de 32,8%, a capital do Ceará importou mais de US$ 772,4 milhões. O crescimento comparado com o ano anterior foi de mais de 44,8%, maior variação dentre os principais municípios destacados. Apesar da queda de 23,8%, o município de São Gonçalo do Amarante ficou em segundo lugar com uma participação de 31% e cerca de US$ 729,8 milhões. Horizonte também se destaca com crescimento de 18,6%.

Ao longo do ano, novos produtos assumiram as primeiras colocações no ranking das importações, sobretudo, relacionados a combustíveis minerais. O óleo diesel, por exemplo, foi o item que mais cresceu em valor importado durante o ano, com uma elevação de mais de 140% e total de US$ 173,1 milhões. A hulha betuminosa permaneceu na primeira posição, com US$ 410,8 milhões e, juntamente com os demais combustíveis, foi importado em sua maior parte pelos municípios de Fortaleza e São Gonçalo. Desse modo, a capital, que importava basicamente cereais, aumentou seu valor em consumo no exterior em 44,8%.

O setor de ferro e aço, uma das pautas centrais da economia do estado, permaneceu em crescimento, com total de US$ 169,7 milhões, apesar de ter caído no ranking. No ano anterior o setor liderava a lista dos principais setores importados pelo estado. O principal produto importado do setor trata-se coques sólidos de petróleo e metal reciclado, ambos utilizados como insumo da indústria siderúrgica.

Outro grupo importante que compôs as compras internacionais do Ceará foi o de químicos orgânicos, que totalizou US$ 167,4 milhões no ano. Esse grupo é representado basicamente por defensivos agrícolas, uma vez que a agricultura é um dos pontos fortes do estado cearense. A indústria alimentícia, que também manteve produção consistente, foi responsável pela importação de cereais, em especial de trigo. Os cereais totalizaram mais de US$ 217 milhões no ano, tornando-se o 2° setor no consumo do comércio exterior cearense. Ao final do ano, a Argentina, movida por instabilidade econômica, aumentou suas tarifas de exportação. O país sul americano é o principal fornecedor de trigo do Brasil, o que causou uma leve queda no consumo de trigo argentino. A medida fez ainda com que o Ceará buscasse outros fornecedores, aumentando o consumo de trigo norte americano e
paraguaio.

Em 2019, “combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação“ e “cereais” foram os principais setores importados pelo estado, apesar da diminuição de cerca de 8,8% e 4,3%, respectivamente. Outro setor que apresentou uma redução considerável, cerca de 26,8%, trata-se de “máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes”.

Com resultados positivos, o setor de ferro e aço teve aumento de 9,9% e o setor de “plásticos e suas obras” cresceu 28,8%. Em 2019, a variedade de produtos importados pelo Ceará caiu de 2555 tipos de produtos para 2465
variedades, apresentando uma variação negativa de apenas 3,5%.

O fechamento do ano de 2019 apresenta os Estados Unidos com um market share de 53,6% do total importado pelo Ceará, consolidando o país como o principal parceiro comercial do estado. O valor superou os US$ 701 milhões no ano, que corresponde a uma participação de 29,8% na pauta importadora. A China, que reduziu suas vendas para o estado em 24,7%, ficou em segundo lugar com cerca de US$ 413,9 milhões.

O cenário de incertezas em virtude do “Brexit” não desanimou as vendas de produtos do país para o Ceará. Só em 2019, as compras no país cresceram mais de 70,6% e alcançaram US$ 49,5 milhões. Outro destaque positivo ficou com a Rússia, que apresentou um crescimento de 27,6%.

Em tempo, os mercados colombiano e alemão, passaram a ser menos procurados pelas empresas cearenses, apresentando reduções de 54,8% e 21,6%, respectivamente.

No total, o Ceará permanece importando de 96 países, mesmo resultado do ano anterior.

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